sábado, 6 de junho de 2009

Auto-Hemoterapia , fazer ou não fazer? Eis a questão...

Vamos esclarecer então o que seria Auto-Hemoterapia:

A técnica é simples: retira-se o sangue de uma veia comumente da prega do cotovelo e aplica-se no músculo, braço ou nádega, sem nada acrescentar ao sangue. O volume retirado varia de 5ml à 20ml, dependendo da gravidade da doença a ser tratada. O sangue, tecido orgânico, em contato com o músculo, tecido extra-vascular, desencadeia uma reação de rejeição do mesmo, estimulando assim o Sistema Retículo Endotelial( S.R.E). A medula óssea produz mais monócitos que vão colonizar os tecidos orgânicos e recebem então a denominação de macrófagos. Antes da aplicação do sangue, em média a contagem dos macrófagos gira em torno de 5%. Após a aplicação a taxa sobe e ao fim de 8h chega a 22%. Durante 5 dias permanece entre 20 e 22% para voltar aos 5% ao fim de 7 dias a partir a aplicação da auto-hemoterapia. A volta aos 5% ocorre quando não há sangue no músculo.

As doenças infecciosas, alérgicas, auto-imunes, os corpos estranhos como os cistos ovarianos, miomas, as obstruções de vasos sangüíneos são combatidas pelos macrófagos, que quadruplicados conseguem assim vencer estes estados patológicos ou pelo menos, abrandá-los. No caso particular das doenças auto-imunes a auto-agressão decorrente da perversão do Sistema Imunológico é desviada para o sangue aplicado no músculo, melhorando assim o paciente.

Após a comercialização e divulgação em massa do vídeo onde o Dr. Luiz Moura fala de todos os benefícios desta curiosa e polêmica técnica, o número de pessoas que procuraram as farmácias ou enfermarias para injetar um pouco de seus próprios sangues em seus músculos, foi imenso.
A partir disso o assunto auto-hemoterapia ocupou pautas de debates na TV, matérias de jornais e revistas, todos queriam entender o porque algo que parece ser tão maravilhoso era proibido por órgãos como a Sociedade Brasileira de Hematologia e Hemoterapia (SBHH)e a ANVISA que divulgou em 13 de abril de 2007 a seguinte nota técnica:"A prática do procedimento denominado auto-hemoterapia não consta na RDC nº. 153, de 14 de junho de 2004, que determina o regulamento técnico para os procedimentos hemoterápicos, incluindo a coleta, o processamento,os testes, o armazenamento, o transporte, o controle de qualidade e o uso humano de sangue e seus componentes, obtidos do sangue venoso, do cordão umbilical, da placenta e da medula óssea.
Clique no link abaixo para ver a nota na íntegra:

Não existem evidências científicas, trabalhos indexados, que comprovem a eficácia e segurança deste procedimento.Este procedimento não foi submetido a estudos clínicos de eficácia e segurança, e a sua prática poderá causar reações adversas, imediatas ou tardias, de gravidade imprevisível.Para César Bariane , hematologista, a auto-hemoterapia não é inofensiva como algumas pessoas imaginam. Trata-se de um procedimento invasivo, que produz um hematoma que pode evoluir para uma infecção. "Em pacientes com câncer, que têm baixa imunidade, a auto-hemoterapia pode provocar uma infecção generalizada a partir de um abscesso", afirma.
Segundo o hematologista, o sangue é um dos meios preferidos das culturas de bactérias, além de ser uma das vias da metástase, disseminação de tecidos doentes de um órgão para outro. "E ainda corre-se o risco de, no sangue colhido, haver uma célula cancerígena que, ao ser será aplicada em outra região do corpo, provoque a metástase." Sendo assim, observa o médico, pacientes com câncer devem evitar o procedimento.
A questão chave, quando o assunto é auto-hemoterapia ,é nada mais nada menos do que o bom censo. Você confiaria andar numa montanha russa onde técnicos e especialista afirmam que, apesar de ainda não ter ocorido nenhum acidente, não foram feitos testes para verificar a segurança do brinquedo? Então siga as recomendações do seu médico e só faça um tratamento se for recomendado, pois sua saúde está em primeiro lugar!
Para saber mais sobre Auto-Hemoterapia, acesse os links abaixo:

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